Novo estudo do Índice Brasil de Impacto Digital (iBR) analisa a presença no Instagram de sete nomes cotados para a disputa presidencial. Painel interativo cruza engajamento, sentimento, segmentação psicográfica e análise de discurso para revelar quem mobiliza de verdade — e quem opera no vácuo.
Com a sucessão presidencial de 2026 já pautando articulações partidárias e movimentos nas redes sociais, o Índice Brasil de Impacto Digital (iBR) produziu um raio-x da atuação digital de sete pré-candidatos à Presidência da República. Foram analisadas 108 publicações e mais de 5.200 comentários dos perfis de Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (MBL/Missão), Ronaldo Caiado (União), Eduardo Leite (PSDB) e Ratinho Junior (PSD) ao longo dos últimos sete dias.
Os resultados estão reunidos no dashboard interativo, um painel com sete camadas de análise: ranking geral do iBR, sentimento dos comentários, temperatura do debate, segmentação psicográfica dos comentaristas pela metodologia More in Common, análise crítica de discurso e detalhamento metodológico do índice.
Lula na frente, mas sob fogo cruzado
O presidente Lula da Silva lidera o ranking com iBR de 5,93 pontos, sustentado pelo maior engajamento médio (133 mil interações por post) e pelo maior alcance de vídeo do grupo (651 mil visualizações médias). Sua estratégia discursiva evita o confronto direto e aposta na imagem de estadista que entrega resultados — desastres naturais, saúde pública e celebrações nacionais dominam sua pauta.
Porém, os números revelam vulnerabilidade: quase 40% dos comentários em suas publicações são negativos, e a temperatura do debate em torno de seu perfil atinge 54,5 pontos.
“Lula tem o maior volume de engajamento, mas também a segunda maior exposição a críticas. Isso mostra que liderar o debate digital não é o mesmo que controlá-lo”.
— observa Tiago Falqueiro, sócio-fundador da DSC Lab e coordenador do iBR.
Flávio Bolsonaro herda a militância e aposta na oposição
Na segunda posição, Flávio Bolsonaro marca 4,37 pontos, apoiado em uma base de 9,1 milhões de seguidores e em um discurso centrado na crítica ao governo Lula e na celebração do legado paterno. Seu perfil concentra a maior proporção de Patriotas Indignados entre os comentaristas (34%), seguida de Conservadores Tradicionais (29%).
Apesar do engajamento elevado (121 mil por post), a qualidade da interação é baixa — a segunda pior do grupo —, sugerindo um debate mais reativo e menos propositivo. A temperatura de 49 pontos confirma um ambiente polarizado, embora inferior à de Lula e Zema.
Zema e Renan disputam o mesmo eleitor com estratégias opostas
Romeu Zema (2,88) e Renan Santos (2,97) ocupam posições próximas no ranking, mas com perfis digitais distintos. Zema registra a maior temperatura do debate entre todos os analisados (56,4 pontos) e o segundo maior percentual de comentários negativos (42%). Seu discurso alterna denúncias de corrupção com a celebração de entregas em Minas Gerais, atraindo forte reação tanto de apoiadores quanto de opositores.
Renan Santos, por sua vez, detém a maior taxa de engajamento do grupo (4,08%), quase cinco vezes superior à de Lula. Com uma base menor (626 mil seguidores), ele compensa com alta capacidade de mobilização e um discurso de ruptura que propõe reformas econômicas radicais.
“Ambos falam para o eleitor conservador e antipetista, mas Zema se vende como gestor e Renan como agitador. A questão central para os dois é a mesma: como furar a bolha e alcançar quem ainda não se decidiu”.
— analisa Falqueiro.
Governadores bem avaliados localmente, mas invisíveis nacionalmente
Ratinho Junior (1,81), Ronaldo Caiado (1,59) e Eduardo Leite (0,63) formam o bloco dos governadores com perfis institucionais e baixa polarização. Caiado apresenta o maior índice de aprovação nos comentários (84% positivos) e a menor temperatura do debate entre os sete (33,1). Ratinho Junior segue padrão semelhante, com 72% de positividade e discurso focado em entregas de infraestrutura, educação e habitação no Paraná.
Eduardo Leite, último colocado, publicou apenas 7 posts nos últimos sete dias — menos da metade da média do grupo. Sua audiência é a mais diversificada em termos psicográficos, com forte presença de Cautelosos e Indeterminados, mas o baixo volume de publicações compromete sua visibilidade.
“Esses três governadores têm aprovação alta em seus estados, mas ainda não encontraram uma narrativa capaz de projetá-los no debate nacional. Na corrida presidencial, ser bem avaliado localmente não basta — é preciso existir no imaginário do eleitor brasileiro”.
— afirma Falqueiro.
Como a análise foi feita
O estudo considerou apenas publicações dos últimos 7 dias, excluindo posts fixados — que acumulam engajamento ao longo de meses e distorcem métricas de desempenho recente. Cada perfil foi avaliado com o número real de posts publicados no período, sem equalização artificial, já que a frequência de publicação é uma das variáveis do próprio índice. O iBR é composto por mais de 40 métricas organizadas em quatro fatores: Engajamento, Audiência, Atuação e Influência.
Explore o painel completo
O dashboard interativo permite navegar entre todas as dimensões da análise, com gráficos dinâmicos, cards comparativos e fichas de discurso individualizadas para cada pré-candidato.
O Índice Brasil de Impacto Digital (iBR) é um projeto da DSC Lab. Desde 2022, seus estudos pautaram reportagens em veículos como O Globo, Folha de São Paulo, TV Globo e Congresso em Foco. Para mais informações, acesse indicebrasil.com.br ou entre em contato pelo e-mail redes@descompli.ca.