Nos primeiros 45 dias de 2025, a comunicação digital do governo federal adotou um tom predominantemente institucional, deixando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segundo plano nas redes sociais. De acordo com o relatório de impacto digital, apenas 16,32% das postagens analisadas mencionaram Lula diretamente, com a maioria dessas referências ocorrendo em eventos oficiais e em canais vinculados ao Palácio do Planalto.
O levantamento aponta que a rede social onde o presidente mais apareceu foi o X (antigo Twitter), com 73,2% das menções registradas, enquanto Instagram e Facebook – plataformas de maior engajamento – apresentaram índices significativamente menores, 12,7% e 8,2%, respectivamente. No Instagram, que tem a maior base de usuários no Brasil, as menções ao presidente não ultrapassaram 7,97% das postagens, reduzindo seu alcance em um dos principais meios de comunicação digital.
Estratégia de Comunicação ou Falta de Protagonismo? Os dados sugerem que essa estratégia pode ser reflexo de uma linha de comunicação herdada da gestão anterior da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) ou, ainda, de uma decisão deliberada de evitar personalizar a narrativa governamental. No entanto, especialistas apontam que essa abordagem pode estar impactando negativamente a imagem do presidente junto ao público digital.
O levantamento também indica que ministérios fundamentais para a popularidade do governo, como o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, tiveram um percentual de menções a Lula abaixo da média geral (16,32%). A pasta da Saúde, por exemplo, citou o presidente em apenas 2,23% de suas postagens, enquanto o Ministério da Educação atingiu 8,5%.
Outro dado que chama atenção é o desempenho do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, responsável pelo Bolsa Família e outros programas sociais estratégicos. Durante o período analisado, essa pasta mencionou Lula apenas uma vez fora de eventos e coberturas institucionais, um indicativo de distanciamento entre o presidente e uma das áreas mais sensíveis para sua base eleitoral.
Repercussão e Possíveis Ajustes Com a popularidade do presidente sendo desafiada por crises de imagem e questões políticas, a baixa presença digital pode se tornar um entrave na relação direta com a população. O relatório sugere que uma mudança na estratégia de comunicação, com maior protagonismo de Lula nas redes sociais de alto engajamento, poderia contribuir para melhorar sua imagem e ampliar o alcance das ações do governo.
A expectativa agora é se a nova gestão da Secom, sob Sidônio Palmeira, adotará medidas para reposicionar o presidente no cenário digital, garantindo que sua presença seja mais ativa e estratégica nas redes sociais.