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Zema rouba a cena com salto de 43,87 pontos e ultrapassa Flávio por margen mínima; Lula avança em pontos mas perde posição; a direita cresce desigualmente e Aldo recua.
Em abril Romeu Zema ultrapassou Flávio Bolsonaro na liderança do iBR por 0,09 ponto, com um salto de 43,87 pontos que o levou da quarta à primeira posição. Lula ganhou 5,79 pontos e caiu para o terceiro lugar. Renan Santos avançou 6,54 pontos. Aldo Rebelo perdeu 2,83 pontos, o único recuo do mês. Caiado cresceu 2,74 pontos e manteve a sexta posição.
O recorte analisou 556 publicações e 10.907 comentários reais de seis perfis oficiais — Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Renan Santos, Aldo Rebelo e Ronaldo Caiado — entre 1 e 30 de abril. O iBR combina sete componentes: alcance médio de vídeo, taxa de engajamento, número de comentários, sentimento líquido, temperatura de audiência, índice de diversidade discursiva e qualidade da interação.
Lula cresceu 5,79 pontos no iBR mas caiu da segunda para a terceira posição porque o salto de Zema foi superior. O presidente mantém a maior base de comentários (707.652) e volume de posts (127), mas a taxa de engajamento de 0,62% é a mais baixa entre os seis candidatos, indicando que o alcance não se converte em interação proporcional ao número de seguidores. O custo digital de governar aparece na temperatura morna (25,3) e na pressão adversária de 16,5% — a mais alta do painel.
Zema é o fato político do mês. Saiu de 29,44 para 73,31 pontos com um ganho de 43,87 — valor que responde por 84% do crescimento total da direita em abril. O salto foi impulsionado por uma campanha de 103 posts com 85% de ataque ao STF, que gerou 1,6 milhão de alcance médio por vídeo e taxa de engajamento de 4,55%. A base de Patriotas Indignados respondeu com adesão maciça (1.657 comentários positivos contra 136 negativos), mas o discurso tem baixa densidade programática e o passivo da gestão mineira já circula com lastro factual.
Flávio perdeu a liderança mesmo crescendo 1,88 ponto. O ganho foi modesto: 82,8% de sentimento positivo e 74% de base PI confirmam que o apoio deriva da identidade com o pai, não de entrega própria. A cobrança por propostas aparece em comentários de apoiadores e opositores — há déficit programático exposto.
Renan Santos avançou 6,54 pontos e manteve o quarto lugar. A base de jovens ex-bolsonaristas que migram para ele cresce, mas a viabilidade eleitoral é questionada até por aliados. Aldo Rebelo perdeu 2,83 pontos, o único recuo do mês. Caiado ganhou 2,74 pontos e segue em sexto, com temperatura morna e fissura interna por terras raras.
Score, componentes e tabela completa dos 6 pré-candidatos
Abril revelou que a direita fragmentada em cinco candidaturas produziu uma dinâmica de canibalização digital: Zema e Flávio disputam o mesmo eleitorado PI com discursos de confronto ao sistema e ao PT, e a diferença entre eles é de apenas 0,09 ponto no iBR. Zema conquistou a liderança ao capitalizar o flanco anti-STF com um tom 85% ataque, enquanto Flávio, mesmo com base maior (10,2 milhões de seguidores contra 3,5 milhões de Zema), perdeu terreno por avançar apenas 1,88 ponto. Lula, embora tenha crescido 5,79 pontos, viu sua temperatura subir para 25,3 (Morno) e sua posição cair para 3º, indicando que o crescimento digital não se traduziu em melhora relativa — os demais candidatos cresceram mais. A tensão estrutural do mês está na contradição entre o discurso propositivo de Lula (0% ataque) e as dores reais da sua base (12% dos comentários citam violência, preços, oportunismo), enquanto Zema e Flávio, ao centrarem fogo no STF e no PT, ocupam o espaço da indignação que Lula evita.
O dado mais revelador sobre a fragmentação da direita é que o somatório dos iBRs de Zema, Flávio, Renan, Aldo e Caiado (73,31 + 73,22 + 42,55 + 21,38 + 15,78 = 226,24) é 4,4 vezes o iBR de Lula (51,20), mas nenhum dos candidatos de direita consegue converter esse volume em liderança consolidada — a dispersão de votos digitais entre cinco nomes impede a formação de uma candidatura hegemônica. Se a direita unificasse seus eleitores digitais em torno de um único nome, esse candidato teria iBR superior a 200, mas a fragmentação beneficia Lula, que mantém uma base de Esquerda Tradicional coesa (69% do seu público) mesmo com temperatura elevada. A contradição de abril é que o maior ganhador (Zema, com +43,87 pontos) e o único perdedor (Aldo, com -2,83 pontos) estão no mesmo campo ideológico, sugerindo que o crescimento de Zema pode ter ocorrido às custas de Aldo e de parte do eleitorado de Flávio — a direita está redistribuindo votos internamente, não conquistando novos territórios.
Especializada em marketing político e relações públicas, a Descompli.ca atua desde 2015 com produção de conteúdo e monitoramento de dados para construção de estratégias digitais.
O Índice Brasil de Impacto Digital mede a presença e o impacto digital de instituições e autoridades, consolidando-se como referência em análise digital na política brasileira desde 2022.
Variação no iBR e na posição no ranking entre os dois meses
Classificação dos comentários em positivo, negativo e neutro
As taxas de sentimento positivo são altas no topo do ranking: Zema tem 81,6% de positividade e apenas 6,7% de negatividade — a menor taxa de negatividade entre todos. Flávio tem 82,8% positivo e 12,6% negativo, com o maior volume de comentários (974.027). Lula tem 76,4% positivo e 17,6% negativo — a maior taxa de negatividade entre os três primeiros, impulsionada por críticas à gestão (violência, preços) e ataques morais ('ladrão'), que aparecem em 22 de 182 comentários (12%). Renan Santos tem 65,4% positivo e 12,5% negativo, com 22,2% de neutros — a maior proporção de neutros, indicando base menos polarizada. Aldo tem 77,2% positivo e 9,7% negativo, com relação apoiador/opositor de 21:1 (533 apoiadores vs. 25 opositores), a mais favorável do painel. Caiado tem 81,3% positivo e 14,9% negativo, com 703 apoiadores contra 128 opositores (5,5:1).
Zema e Flávio polarizam fortemente suas bases: Zema com 81,6% positivo e 6,7% negativo, Flávio com 82,8% positivo e 12,6% negativo — ambos operam em território digital pacificado. Lula, embora tenha 76,4% positivo, enfrenta a maior pressão adversária (16,5%) entre os seis, reflexo do ataque combinado de Patriotas Indignados e de críticos internos da gestão. Aldo tem a relação apoiador/opositor mais extrema (21:1), mas em volume absoluto baixo (533 apoiadores). Caiado tem base emocionalmente engajada (703 apoiadores), mas a oposição interna à direita (acusação de 'entreguismo') aparece em 12 de 161 comentários (7,5%).
Mede o nível de controvérsia e polarização nos comentários (0-100)
A temperatura mede a soma de negatividade (críticas ao candidato) e pressão adversária (menções a adversários na base do candidato). O candidato mais exposto é Caiado, com temperatura de 26,6 (gradiente 'Morno'), o maior valor do painel — composto por 14,9% de negatividade e 14,3% de pressão adversária, a segunda maior do grupo. A pressão adversária em Caiado vem principalmente de críticas internas à direita (acusação de 'entreguismo' e ligação com Kassab/PSD), que aparecem em 12 de 161 comentários. Lula tem temperatura de 25,3 ('Morno'), com 17,6% de negatividade (a maior) e 16,5% de pressão adversária (a maior). Flávio tem temperatura de 19,7 ('Frio'), com 12,6% de negatividade e 10,3% de pressão adversária. Zema tem temperatura de 18,4 ('Frio'), a mais baixa entre os seis, com apenas 6,7% de negatividade e 6,2% de pressão adversária — indicando baixa exposição a críticas e ataques coordenados. Renan Santos tem temperatura de 18,2 ('Frio'), semelhante a Zema, mas com pressão adversária de 9,1%. Aldo tem temperatura de 17,7 ('Frio'), a menor do painel, reflexo de baixíssima pressão adversária (3,2%) e negatividade de 9,7%.
Comparado a março, a temperatura de Zema caiu drasticamente: em março, com iBR de 29,44, sua temperatura era provavelmente mais elevada; em abril, com a explosão de engajamento e a consolidação de uma base entusiasta, a temperatura caiu para 18,4, o menor valor do grupo. Lula, ao contrário, viu sua temperatura subir: em março, com 45,41 pontos, a temperatura era menor; em abril, com o avanço de 5,79 pontos, a negatividade (17,6%) e a pressão adversária (16,5%) aumentaram, indicando que o crescimento digital veio acompanhado de maior exposição a ataques. Caiado manteve temperatura elevada (26,6) pelo segundo mês consecutivo, sugerindo que a candidatura não consegue reduzir o ruído interno à direita.
Tom, temas, narrativa central, estratégia e segmento MIC de cada pré-candidato
O espectro de tom vai de 100% propositivo (Lula) a 85% ataque (Zema). Lula adotou estratégia de ataque zero: todos os 127 posts foram propositivos, com 34 dedicados a relações internacionais (26,8%), 23 à educação (18,1%) e 21 a programas sociais/infraestrutura (16,5%). O adversário não é nomeado em nenhum post. O tema dominante é a agenda de realizações do governo, com destaque para o fim da escala 6x1 (16 posts de direitos trabalhistas). No extremo oposto, Zema tem 85% de índice de ataque — 82 de 103 posts (79,6%) focados no combate aos 'intocáveis' de Brasília (STF, Congresso, Planalto). O adversário principal é o STF, nomeado em posts como 'intocáveis' associados à corrupção. Flávio tem 60% de ataque, com 22 de 96 posts (22,9%) criticando o governo Lula/PT e defendendo a direita; o adversário mais citado é Lula, e a narrativa central é a continuidade do legado bolsonarista. Renan Santos divide-se entre 54% propositivo e 46% ataque, com 30 de 143 posts (21%) dedicados a confrontos com figuras públicas (Flávio Bolsonaro, Wesley Safadão) e denúncias de corrupção; o adversário mais citado é o sistema político (centrão, bolsonarismo, PT). Aldo tem 30% propositivo e 40% ataque, com 7 de 42 posts (16,7%) sobre soberania nacional e 5 (11,9%) criticando o STF e o sistema judiciário. Caiado tem 70% propositivo e 30% ataque, com 12 de 45 posts (26,7%) sobre gestão de Goiás como modelo e 5 (11,1%) criticando o governo Lula.
A escolha de adversário define o campo de batalha de cada um: Lula ignora adversários e foca em entregas; Zema elege o STF como inimigo único; Flávio mantém o PT como alvo clássico; Renan ataca o sistema e figuras específicas (Flávio, Safadão); Aldo critica o STF e o governo; Caiado critica Lula mas com tom menos agressivo. A narrativa central de cada candidato é consistente com o tom: Lula projeta 'governo realizador' (100% propositivo); Zema se posiciona como 'único capaz de enfrentar os intocáveis' (85% ataque); Flávio se apresenta como 'herdeiro do legado bolsonarista' (60% ataque); Renan se vende como 'terceira via de ruptura' (54% propositivo); Aldo defende 'soberania nacional' (30% propositivo); Caiado propõe 'replicar o modelo Goiás no Brasil' (70% propositivo).
Temas recorrentes, críticas específicas e discurso predominante da audiência
A sintonia entre o segmento-alvo declarado e o público real é quase perfeita para quatro candidatos. Zema mira Patriotas Indignados (PI) e 64% do seu público (998 de 1.563 classificáveis) é PI, com linguagem anti-STF e simbologia verde-amarela espelhando o discurso de 85% de ataque. Flávio também mira PI e 74% do seu público (1.411 de 1.899) é PI, com adesão emocional-identitária ao número 22 e à bandeira. Lula mira Esquerda Tradicional (ET) e 69% do seu público (1.726 de 2.493) é ET, com apoio à pauta trabalhista e educacional. Renan Santos mira PI e 72% do seu público (2.017 de 2.817) é PI, com forte presença de ex-eleitores de Flávio migrando para Renan. Aldo Rebelo mira PI, mas seu público tem 55% de PI (432 de 782) e 30% de Cautelosos (CA, 239) — a maior proporção de CA entre os candidatos, indicando um eleitorado que valoriza preparo intelectual e propostas concretas. Caiado mira Conservadores Tradicionais (CT) e 47% do seu público (417 de 883) é CT, mas 32% é PI (280), revelando uma sobreposição significativa que gera tensão: o discurso propositivo de Caiado (70%) fala com CT, mas os PI exigem tom de confronto que o candidato não oferece.
As dissonâncias mais relevantes estão nas bordas. Zema tem 12% de CA (318) que demandam resultados concretos de gestão — registro que o discurso de 85% ataque ignora. Flávio tem 9% de CA (98) que cobram propostas e plano de governo, e 9% de CT (163) que poderiam ser capturados com agenda de fé e família. Lula tem 10% de CA (164) e 4% de PI (97) que o criticam por violência e custo de vida — temas ausentes do discurso 100% propositivo. Renan tem 11% de CA (304) que avaliam viabilidade e governabilidade, segmento subexplorado pelo tom 46% ataque. Aldo tem 30% de CA (239) que formam seu diferencial competitivo — são justamente os que elogiam seu preparo intelectual — mas o discurso replica tom PI (ataque ao STF), diluindo a singularidade. Caiado tem 32% de PI (280) que estão sendo perdidos para Zema ou Flávio por falta de discurso anti-sistema.
O Índice Brasil de Impacto Digital (iBR) mede o impacto e a presença digital de instituições, autoridades, empresas e, neste caso, dos presidenciáveis para 2026, nas principais redes sociais e plataformas digitais. Ele avalia não apenas o volume de publicações e interações, mas também a capacidade de engajar a sociedade e influenciar debates públicos.
Diferentemente do Desempenho Digital, que coleciona as métricas alcançadas por determinada presença digital, o Impacto Digital, medido pelo Índice Brasil, busca captar os reflexos das ações de uma forma mais ampla, com o objetivo de entender a relação do agente em um grupo ou situação determinada.
Mede o nível de interação do público com as postagens. Curtidas, comentários, compartilhamentos e visualizações são ponderados de acordo com sua relevância.
Representa o alcance potencial, levando em conta o número de seguidores e o tamanho total da plataforma.
Considera a regularidade com que cada perfil publica conteúdos, e mede a tendência da presença digital ativa gerar maior engajamento.
Reflete a relevância no ambiente digital, analisando como o engajamento se compara à base de seguidores e ao desempenho dos demais perfis.
Desde 2022, os estudos do iBR pautaram reportagens em veículos de comunicação de Brasília e do DF.

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